De 28 Abril a 01 de Maio de 2017 – Tarapoto – Peru

Quando analisamos a conjuntura internacional temos em consideração o mundo globalizado num contexto de profundas contradições entre o Capital e o trabalho, entre o capital rentista e o capital produtivo, além das disputas geopolíticas entre as grandes potenciais mundiais, reflexo dos macros interesse no ceio da grande burguesia mundial, Esse cenário se soma a falência econômica, e social nos países da Europa que vem abrindo espaços para posições da extrema direita, a xenofobia e o fascismo.

Nesse contexto a resistência dos povos é fundamental contra a retirada de direitos e de ameaças a democracia no cenário político internacional. É com a clareza dos nossos interesses de classe e dos nossos objetivos políticos que afirmamos que a saída para essa crise sistêmica do capitalismo só será possível com ampla unidade dos povos numa luta em escalada mundial contra o capital financeiro internacional, nesse sentido precisamos colocar no centro das nossas ações a defesa da democracia, dos direitos sociais dos trabalhadores e da soberania das nações, esse deve ser o centro da nossa reflexão e da nossa intervenção política na conjuntura internacional na atualidade por parte dos movimentos sociais de caráter progressista e de postura anti-imperialista.

Nessa conjuntura não podemos subestimar a hegemonia dos Estados Unidos no campo midiático, ideológico-cultural, diplomático e militar, além de sua poderosa rede de espionagem que vem patrocinando e articulando golpes de estado e todo tipo de instabilidade política em todo o continente Latino Americano, essas investidas na nossa região visam consolidar sua influência e somar aos seus objetivos geopolíticos no mundo. Estes ingredientes torna a situação internacional tensa devido às ameaças à paz e à soberania das nações. Nesse cenário devemos observar a constituição de novos polos políticos em formação que podem alterar consideravelmente as zonas de influência e alterar a correlação de forças no mundo. É urgente a transição à multipolarização rumo ao equilíbrio geopolítico e a paz mundial.

A situação internacional exige ampla unidade e intensa luta na defesa da democracia, dos direitos sociais, do progresso e da soberania das nações, a unidade dos povos através dos movimentos sociais de defesa da democracia e de libertação nacional na América Latina é uma exigência imposta pela realidade, cabendo aos movimentos sociais de caráter patriótico e progressista constituir-se em blocos políticos de caráter amplo, que reforcem o campo progressista no enfrentamento aberto ao capital financeiro internacional, que reforce a luta pelo progresso e pela solidariedade internacional dos povos em cada país, frente à grande ofensiva Imperialista pelo mundo.

Considero relevante destacar o papel da América Latina no cenário internacional, ela se constituiu no último período num importante polo de resistência ao Neoliberalismo no mundo, ajudando a reconfigurar o mapa político mundial. Com a constituição de governos progressistas, período que propiciou lutas por mais direitos democráticos que se expressaram numa América Latina mais inclusiva, mais democrática e socialmente mais avançada, isso vem se expressando nas recentes manifestações populares pelo continente de enfrentamento aos interesses dos EUA. Há uma grande resistência dos povos vista nas manifestações pública em defesa dos direitos sociais e da democracia, luta de forte oposição aos interesses do capital financeiro internacional, movimento de defesa da soberania das nações, em clara contraposição as ideias neoliberais expressas em alguns governos conservadores na região.

Por sua natureza libertária podemos afirmar que na América Latina vem se formando um importante polo anti-imperialista, exemplo disto é a evolução da situação política com elevada politização das lutas em grande mobilização dos povos na defesa de suas conquistas históricas e recentes como as manifestações populares no Brasil, na Argentina, do processo de Libertação Nacional na Guiana, nas manifestações no Paraguai, à acirrada vitória eleitoral do campo progressista no Peru e no Equador, além da resistência popular na Bolívia e na Venezuela, na Guatemala, Costa Rica etc. O fortalecimento dos movimentos sociais na América Latina é fundamental na consolidação de um campo democrático e popular, que muito ajuda na integração dos povos da região no enfrentamento da atual conjuntura com perspectivas de vitórias significativas, descortinando um período de avanços sociais.

Evo Morales: “A estratégia do imperialismo é criar conflitos”

“A estratégia do império é criar conflitos sociais para intervir com a OTAN”, disse o presidente boliviano ao ressaltar que a intenção imperialista é “submeter e fracionar” os governos da América Latina. Para Morales, uma prova disso é o caso da Venezuela, onde estão impulsionando um conflito interno para planejar outra intervenção militar.

A estratégia dos EUA e de se apoderar-se das riquezas naturais das nações em vias de desenvolvimento.

“Enquanto houver um pensamento de dominação e de intervenção não haverá paz”, assinalou Morales, que agregou ainda que “a paz não é, nem será, filha do gasto militar, nem de bases militares, nem da indústria bélica. A paz é produto da justiça e da igualdade de nossos povos”.

Nesse contexto a realização do VIII Fórum Pan Amazônico reveste-se de grande importância tanto pelo momento político que atravessa a América Latina e o Mundo, como pelos desafios que tem pela frente o movimento social latino americano diante da onda conservadora que assombra a região. A derrota dessa poderosa onda conservadora só será possível através de uma poderosa onda progressista que tenha como central a defesa pela democracia.

A Política de Integração na região no próximo período passa pela articulação, jornadas de lutas, campanhas patrióticas, intercâmbio cultural, busca do conhecimento plural, no planejamento de ações e lutas, como forma de valorizar esse rico patrimônio que são as organizações dos povos da Amazônia. Graças à mobilização social nos últimos 15 anos cresceu significativamente na América Latina a luta por direitos fundamentais como: emprego, moradia, saúde, educação, transporte público de qualidade com tarifa acessível, saneamento básico, direito a energia, esporte e lazer, cultura, e as lutas contra as discriminações de gênero, raça, sexo, religião, idade entre outros. Luta em defesa dos direitos, da democracia e da soberania nacional.

Nesse contexto, os movimentos sociais de maneira geral, cumpre um grande papel na representação dessas lutas em articulações que unifique o povo em torno de bandeiras unitárias que aponte uma saída democrática a atual crise econômica, política e Humanitária que envolve todos os países. Importante destacar que inúmeros são os movimentos, entidades, lideranças políticas em ações desenvolvidas que servem a luta de inclusão social da população na Amazônia, que contribuem para despertar e elevar a consciência de classe da população nas lutas pelos seus direitos fundamentais, pela democracia e pela soberania nacional.

O VIII Fórum PANAMAZÔNICO propõe ser o espaço de articulação, na construção de um olhar amazônico sobre a América Latina, por compreender que esta rica e estratégica região pode contribuir no grande debate de rumos e na luta democrática e popular latino-americana.

Viva a Democracia!
Viva Unidade dos Povos Latino-americanos!

Wanderley Gomes da Silva
Diretor de Saúde da CONAM
Conselheiro Nacional de Saúde