Manifestação ocorreu pelas ruas do Centro e bloqueou o trânsito em diversas avenidas l Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

Caio Venâncio e Samir Oliveira

Protesto reuniu mais de 150 pessoas l Foto:Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

A mobilização que congestionou o trânsito de Porto Alegre na manhã desta segunda-feira (8) deu resultados para os integrantes do Fórum de Ocupações Urbanas da Região Metropolitana de Porto Alegre. Depois de caminharem pelas ruas do Centro da cidade e protestarem em frente ao Palácio Piratini, os manifestantes conquistaram o adiamento de um dia do cumprimento da reintegração de posse da Ocupação Morada dos Ventos, inicialmente marcada para esta terça-feira (9). Além disso, uma reunião com o governador Tarso Genro (PT) foi agendada para o final da tarde desta segunda-feira (8).

Após desobstruir o eixo próximo à Rodoviária, os manifestantes marcharam até a Praça Montevidéu, em frente à prefeitura de Porto Alegre, onde cobraram uma reunião com o prefeito José Fortunati (PDT) e o vice Sebastião Melo (PMDB). Em seguida, subiram a Avenida Borges de Medeiros em direção ao Palácio Piratini.

Durante o percurso, os moradores gritavam: “Queremos moradia! Queremos moradia! Queremos moradia!”. Após permanecer alguns minutos em frente ao Palácio, as lideranças do movimento foram convocadas para uma reunião com o governo. Quando saíram do encontro, eles anunciaram que a reintegração de posse havia sido adiada em pelo menos mais um dia.

“Conseguimos fazer com que amanhã não tenha mais a reintegração”, disse uma das integrantes do movimento, referindo-se à Ocupação Morada dos Ventos, no bairro da Hípica, na Zona Sul de Porto Alegre. O assessor jurídico do Fórum das Ocupações Urbanas da Região Metropolitana, Paulo René Soares da Silva, informa que o governo decidiu que não colocaria a Brigada Militar à disposição para reintegração nesta terça-feira (09), possibilitando que o movimento tenha mais 24 horas para tentar reverter a ação na Justiça.

Parte da população prejudicada em relação aos protestos chegou até mesmo a xingar os manifestantes l Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

A ocupação Morada dos Ventos, localizada na Zona Sul de Porto Alegre, abriga mais de 300 famílias e existe há oito meses. A ocupação Cruzeirinho, que também está sob ameaça de despejo, está localizada no Morro Santana e abriga mais de 200 famílias há seis meses.

Um dos coordenadores do Fórum, Juliano Fripp comemorava o avanço conquistado, embora ele próprio o definisse como pequeno. A partir disso, ele conta que o advogado Paulo René seguirá trabalhando pela revogação das decisões judiciais desfavoráveis ao movimento.

O Fórum congrega 22 ocupações, que juntas totalizam, segundo Fripp, mais de 15 mil famílias. “Nosso povo é muito maior do que este número que protestou hoje pela manhã. Ao contrário do que alguns dizem, somos também trabalhadores, o que afeta até mesmo a nossa capacidade de mobilização, pois muitos de nós não puderam vir protestar porque têm trabalho”, argumenta. Fripp reafirmou que a vontade dele e de seus companheiros é pagar pelas casas que desejam ver construídas.

Juliano Fripp: “A Rádio Gaúcha nos marginaliza” l Foto: Filipe Castilhos/Sul21

Juliano também reclama da abordagem que parte da mídia e imprensa vem dando ao movimento, que seria voltada à criminalização. “A Rádio Gaúcha nos marginaliza, nos veem como bandidos. É a pior mídia que existe, não estão ao lado dos trabalhadores”, resume. Ele também acredita que o movimento não é devidamente compreendido pelo Judiciário nem pela Prefeitura de Porto Alegre, que estaria “lavando as mãos” para a questão. “A Justiça só pende pro lado da burguesia. Queremos que uma vara especializada seja criada para tratar destes conflitos envolvendo moradia. Um juiz especializado no tema vai pensar duas vezes antes de dar um canetaço”, acredita. E completa: “E a Prefeitura nos chama de fura-fila porque não queremos esperar pelas casas conforme a ordem do cadastro deles. No Orçamento Participativo (OP), tem residencial popular que está para ser feito há 15 anos e até hoje nada ocorreu”.

Fripp adianta que a mobilização não vai parar. Já existe um protesto agendado para o dia 2 de janeiro para fazer com que o movimento “diga a que veio” para o então recém-empossado governador José Ivo Sartori (PMDB).

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Foto: Bernardo Jardim Ribiero/Sul21

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Fonte: Sul21